26 outubro 2007

Auto-retrato

Ela já não sabe mais pra onde olhar. Pra qualquer lugar que volte seu pensamento, ela não vê saída.
Acorda e o primeiro pensamento é esse. Corre o dia todo, mas não perde o pensamento.
Procura problemas no trabalho, somente para ter que solucioná-los e fugir do sentimento que a persegue.
Alguém esqueceu de ensinar para essa menina que a vida era assim? Que as angústias existem, e que anjos não se materializam para resolver tudo pra gente?
Não, não a ensinaram. Aliás, não ensinaram muita coisa à ela. Acredita em anjos, em gnomos, coelhinho da Páscoa, em flores no dia dos namorados, em cachorrinhos verdes...e em amor.
Seu coração vive em função disso, de sentimentos. De amor, de prazer, de carinho. E quando tudo isso se faz ausente, inúmeros outros sentimentos tomam conta daquele coração quase infantil. Aflição, angústia, tristeza.
Digo quase infantil porque é assim que o mundo a vê. E talvez seja assim que ela mesma se mostra, inocente, ingênua, beirando a tolice.
Tola, sim. Mas não porque se faça assim, ou porque queira. Mas tola de teimosa, porque teima em acreditar em valores, em coisas, que já não vemos e que, muitas vezes nos perguntamos se algum dia existiu.
Apesar de toda essa forma até um pouco pejorativa de ver, vê-la me deixa feliz. Ela me deixa feliz.
Ver a vida como ela vê, sentir o vento como ela sente, tocar a vida como se fosse um instrumento precisando ser afinado constantemente, de forma suave. Apesar de, às vezes, esse instrumento se mostrar meio enferrujado e necessitado de atitudes mais drásticas.
Mas ela não pensa assim. A vida insiste em mostrar lados negros, pessoas cinzas, dias nublados, e ela sofre. Chora, se descabela, como hoje. Sente mais do que a maioria das pessoas sentiria. A intensidade com que ela sente os mais estapafúrdios sentimentos a faz sofrer em demasia.
Mas mesmo sofrendo assim, ela sorri. E mais que isso, ela ri. Gargalha. Das pessoas, da vida, das piadas de humor negro que pregam todos os dias. E ela nega.
Nega toda e qualquer forma de amargura. Ela simplesmente se recusa a ficar amarga e dura. E talvez por essa insistência em se manter macia, ela apanha.
Mas como toda boa mulher-borracha, ela absorve o impacto, sofre escoriações, mas devolve com mais força a todos chutes, socos e pontapés que recebe.
Essa menina canta quando ninguém está por perto, mas toma todo o cuidado para não desafinar e treina com toda paciência os timbres que mais se adequam à sua voz.
Essa menina dança quando lava a louça. Ela ri das piadas do rádio. Ela finje que fala ao celular só pra falar sozinha dentro do carro.
Ela chora quando escuta uma história triste. E é capaz de rir em centésimos de segundos.
Ela conversava com todos os seus bichos de pelúcia quando pequena. E embora tenha crescido, ainda carrega um exemplar dentro do carro pois não gosta de andar sozinha.
Faz amigos onde vai. E mesmo assim se deixa abater com bobagens cotidianas.
E assim ela está. Aflita, com esse pensamento corroendo seu coração desde os primeiros raios de sol até a hora em que deita sua cabeleira farta no travesseiro e abraça seu urso de pelúcia.
Aflita. Por quê?
Ela não me conta, não se abre comigo.
Às vezes desconfio que ela não me conhece...

Cheese egg e Cheese bacon...

Esses dias estava eu conversando conversando com meu gerente, coisas do cotidiano, do dia-a-dia mesmo, qdo ao me referir à uma dada situação ele me vem como a seguinte frase:

- Fê, vc conhece a história do cheese egg e do cheese bacon?

E eu, muito inocente e com essa cara de pateta que me é peculiar, respondo:
- Não... =/

E ele:
- Qual a participação da galinha no cheese egg?

Eu:
- O ovo?

- Certo. E a do porco no cheese bacon?

- Oras...ele é o próprio bacon!

- Pois é isso...a galinha apenas se envolve no processo, já o porco se compromete, entendeu?

E eu, já me matando de rir (pra variar um pouco...), porém com uma certa divagação na mente, respondi:
- É verdade, chefe...

- Fernandinha, não seja um cheese egg na sua vida!

Saí da empresa, entrei no Pulga Xuxu e pensei comigo:
- Meu Deus...esse meu gerente tem coisas que só podem sair da cabeça dele...

Mas logo após pensar nisso, me veio outra coisa. Não é que o homem está totalmente certo?!
De que adianta sermos seres pensantes, inteligentes, saudáveis, cheios disso e daquilo, se formos apenas envolvidos e não nos comprometermos com as coisas que realmente acreditamos?
Rezo, meu Deus, para que eu nunca deixe de pensar assim, viu...
E é também por isso que resolvi escrever aqui...pra que eu nunca me esqueça dessa pequena "parábola". (Nossa...desenterrei essa palavra das aulas de religião da Madre Isabel...q, aliás...a será que ainda é viva?)

23 outubro 2007

E as pedras, pra que servem?

Plagiando Ana Carolina: "É isso aí...."
As dificiculdades estão por todas as partes. Trabalho, família, relacionamentos, amizades, compras no supermercado...pra onde quer que vc olhe se depara com algum tipo de dificuldade.
E as pedras servem pra quê? Construir o caminho! É assim que a vida é feita.
Hoje estou enxergando várias pedras, e no momento, estou estudando um mosaico. Onde será que elas se encaixam melhor? Como será que as maiores vão me ajudar, e como será que as menores vão alicerçar as outras?
As respostas ainda não tenho por completo. Mas estou estudando, estou mesmo.
E sinto, sinceramente, que estou no caminho certo.
O caminho feito pelas minhas pedrinhas...

16 outubro 2007

Você pode tirar a menina da terra...

...mas não tira a terra da menina.
Hoje acordei com um sentimento gostoso, que vem desde o feriado.
Como me faz feliz pegar aquela estrada, ver aquele verdão no horizonte, boizinhos pastando, cupinzeiros enormes...pasto, pasto...mato...muito mato...
ai, que delícia sentir o cheiro da chuva qdo molha a terra quente, ouvir as cigarras, sentir cheiro de estrume de carneiro (é, isso mesmo...adoro!).
Ouvir música caipira, dirigindo minha pickup, sentindo o vento no rosto...ô, meu Deus...que coisa boa!
Quem me conhece sabe que adoro a vida agitada da cidade, não páro quieta, adoro movimentação...mas só Deus sabe a paz que me traz aquele lugar.
Sentir minhas raízes crescendo naquele chão, sentir que faço parte de uma coisa muito maior que uma soziedade caótica, enlouquecida pelas ocorrências da vida.
Sou parte da terra, da natureza, de todos os bichos que me cercam, das árvores, da água, de cada pedra que forma aquele chão.
Meu coração é aquilo lá. Vida. Vida que brota de todas as partes, que nasce e renasce a todo instante.
Não me importo se as pessoas me rotulam quando digo do que eu gosto. Sou grande o bastante pra gostar de tudo o que me apetece a alma.
Vou colocar aqui uma musiquinha que expressa boa parte desse meu sentimento.

Moro num lugar
Numa casinha inocente do sertão
De fogo baixo aceso no fogão
Fogão à lenha ia
Tenho tudo aqui
Umas vaquinha leiteira, um burro bão
Uma baixada, ribeira e um violão
E umas galinhas.. ia
Tenho no quintal
Uns pés de fruta e de flor
E no meu peito por amor
Plantei alguém, plantei alguém
Que vida boa ou ou ou
Que vida boa
Sapo caiu na lagoa
Sou eu no caminho do meu sertão(refrão)
Vez e outra vou
Na venda do vilarejo pra comprar
Sal grosso, cravo e outras coisas que fartá
Marvada pinga ia
Pego meu burrão
Faço na estrada poeira levantar
Qualquer tristeza que for não vai passar
No mata-burro ai ia
Galopando vou
Depois da curva tem alguém
Que chamo sempre de meu bem
A me esperar, a me esperar

Ô, vidão...seria tão bom se pudéssemos viver com mais simplicidade...