Depois de alguns relacionamentos meio enfadonhos e completamente fracassados, depois de muitas noites sem dormir, coração dilacerado, pensamentos confusos e auto estima rastejante, ela resolveu que não seria mais assim. Nunca mais.
Leu todos os livros possíveis de auto ajuda, conversou com pessoas mais velhas, mais novas, terapeutas, colheu experiências, escutou, assimilou. Se tornou mais esperta.
Em dado momento chegou a acreditar que fosse superior a qualquer sentimento e que jamais se apaixonaria novamente. Ledo engano.
Uma amizade de anos, histórias passadas, lembranças quase infantis. Conversas regadas a risadas e lembranças de tempos onde a inocência imperava. Mais por parte dela, com certeza.
Amizade essa que veio em momento oportuno, para apaziguar um coração solitário, carente de sentimentos puros, amizade em seu estado sólido. Não tão puramente amizade que não pudesse se tornar admiração, e mais tarde, paixão.
As conversas se tornaram diárias, constantes, necessárias. Ele ocupado com questões sociais, mostrava um lado humano intenso, militante, caridoso, mas com certa dose de rebeldia, indignação. Até inocente, diriam alguns céticos, por querer mudar o mundo com suas mãos. E acreditar nisso. Ela acreditava.
Ela encantada, como se estivesse diante de um ser que não existe no mundo real. E sinceramente, ela não sabia se existia mesmo. Depois de tantas coisas sórdidas, era custoso para ela acreditar que existisse bondade gratuita no mundo.
Seu coração se encheu de um sentimento que ela jamais soube definir. Como definir algo que se sente, mas que não se vê, não se pode ter a certeza do toque, do cheiro, da física? Uma pessoa quase científica, que custa a acreditar nas coisas inexplicáveis da vida.
Um sentimento que se estendeu por dias, semanas, meses. Uma vontade de entender se o que se passava era real. Mas eternos desencontros, frases que soavam desculpas, empecilhos, tudo parecia impedir que essa prova se realizasse.
Dizem que o destino é feito por quem acredita nele. E por que esse encontro não aconteceu, se ambos estavam procurando por isso? Essa era a questão que rondava seus pensamentos.
Viver um amor surreal já não lhe parecia justo. Muito injusto com um coração que havia visto tanta maldade.
Ela guardou em seu coração, mais uma vez, lembranças de um sentimento bom, que a fez suportar dores que insistiam em conviver com sua alma. E tentou entender a razão por trás disso tudo, mas não conseguiu.
Hoje, a menina se encontra feliz. Encontrou um amor real, sólido, que a mostra todos os dias que o amor em seu estado verdadeiro avança qualquer barreira. É como um rio que contorna os obstáculos, sem que pra isso haja destruição.
Não é a vida perfeita, pois como ela um dia ouviu, "para que alguém tenha uma vida perfeita, é necessário que outra pessoa derrame suas lágrimas".
Sua vida está longe da perfeição. Ela nem deseja isso. Não quer ser feliz às custas das lágrimas de outrem.
Em seu coração ainda existem as lembranças de um encontro que nunca aconteceu, uma saudade de algo que não se concretizou. Mas que foi tão real a ponto de causar uma cicatriz visível em seu coração. E que sempre estará lá, lembrando que mesmo o amor não é perfeito.
Hoje ela apenas sonha em ser amada, na mesma proporção e intensidade com que distribui seu amor.
Acho que as pessoas mudam, mas os sonhos, não.
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24 janeiro 2010
22 dezembro 2009
Quebra-Nozes...

Eu e Chris estávamos outro dia conversando sobre listas de desejo. Sabe aquelas listinhas que a gente faz mentalmente, ou no diário, no blog, em um caderninho, enfim. Sabe?
Pois é, eu sou a menina das listinhas! Tenho listinhas de tudo na minha cabeça. E devo dizer que não sou apenas uma menina de listinhas, costumo realizar esses desejos.
E falando em realizar, ontem realizei mais um. Fui assistir ao ballet Quebra-Nozes.
Enquanto eu esperava, olhava o teatro, sentamos no balcão. Ah, eu sempre quis assistir um ballet, sentada no balcão, como naqueles filmes antigos, com as mulheres bem vestidas e tal.
É, a parte das pessoas bem vestidas a gente pula, porque ninguém estava com aqueles vestidos de assistir ópera, sabe? O traje de gala era calça jeans. Tudo bem, vai. Não se pode ter tudo.
Mas mesmo assim era lindo! As luzes, as pessoas entrando, procurando o melhor lugar, as crianças ansiosas e eu ali, mais ansiosa que elas.
As luzes começam a baixar, uma voz dá as instruções habituais de qualquer espetáculo. "Por favor, desliguem seus celulares e pagers." Será que as pessoas não ouvem direito? DES-LI-GUEM! Pois é, mas o sujeito ao meu lado não compreendeu direito a palavra, e a porcaria do celular dele tocou no meio de uma cena. Ai, que raiva!
A música começa. Meus olhos já começam a se encher de lágrimas, ficam brilhantes à espera dos bailarinos.
Acho que toda menina gosta de bailarinas, né? Mesmo que não dance, mas acho que a bailarina é um símbolo de meninas. Aqueles gestos delicados, aquele sorriso plácido, aquela pontinha de pé...que coisa bonita!
Começa de fato! Ué, não tem dança? Calma, é uma peça, ballet ou não. As pessoas não entram já rodopiando. Mas a minha ansiedade me fazia pensar assim.
As bailarinas até andando são bonitas, né? No palco, elas andam com o pezinho virado, uma graça só!
Vem o primeiro rodopio. Não sei o que me emociona tanto, se a música belíssima de Tchaikovsky ou a delicadeza daquela menina-bailarina, só sei que uma lágrima cai. Os olhos brilham. Chris percebe meu gesto bem discreto, a fim de enxugar o rosto, e sorri.
E a cada cena, mais emoção. Os olhos brilham cada vez mais, os pelos do braço arrepiam. Sinto o coração transbordando.
A música clássica é para mim um verdadeiro milagre. Sem emitir uma só palavra, ela é capaz de expressar mais sentimentos do que qualquer dicionário.
É como se cada instrumento tivesse um idioma próprio, e que não precisamos estudar para entender, basta deixar que o som entre pelos ouvidos e seja canalizado até o coração.
Fim do primeiro ato. Comentários gerais. Lóóóógico que eu e Chris tínhamos que alfinetar o sujeito do celular. Mas coitado, pode ter sido só um momento de distração, e ele esqueceu de desligar. Acontece com qualquer um.
Mas falamos mesmo é sobre isso, sobre esse fascínio, e de como tudo é tão bonito ali. É como se o mundo lá fora não existisse, apenas beleza, sensibilidade, sutileza, harmonia. É como se somente coisas belas existissem no mundo. Eu moraria ali.
Começa o segundo ato. O reino dos doces. Ah, ali as crianças se reconhecem. Mesmo pequenas, mesmo leigas, mesmo que não entendam nada de música, elas se reconhecem.
Lá embaixo, na primeira fila, uma pequena se encanta tanto, que fica em pé, imitando os movimentos da bailarina. Ela realiza meu desejo, que, graças à minha maturidade infeliz e os padrões de comportamento exigidos pela minha não tão tenra idade, não posso concretizar. Uma pena.
E a cada cena, onde nós, os adultos embasbacados, aplaudimos, as crianças nos seguem, mas com mais entusiasmo. E quando todos encerram seus aplausos, ainda se ouvem aquelas palminhas pequenas batendo fora do tempo. Quero dizer, fora do nosso tempo, né? Porque elas continuam gostando, e portanto, aplaudindo.
Não me canso de dizer o quanto tudo parecia irreal, de uma beleza que não estamos acostumados, infelizmente.
Fim do ato, fim do espetáculo. Não cansamos de aplaudir. E segundo Chris, ainda foi pouco. Aplaudiríamos ali a noite toda, se eles não precisassem descansar para enfrentar a segunda sessão.
Saímos daquele lindo teatro com vontade de rodopiar e cantarolar as músicas. Sentamos em um restaurante, e ainda extasiados, comentávamos sem parar. E namoramos, romanticamente, no restaurante onde comemoramos nosso noivado. Uma noite impecável, eu diria.
Na volta para casa, dentro do carro, me peguei pensando em como uma pessoa pode gostar de funk?
Só pode ser porque ela nunca ouviu Tchaikovsky, Beethoven, Mozart, Chopin.
Não sou conhecedora de quase nada, não tenho um ouvido super crítico. Mas tenho um coração, e ele sente a música. Será possível que alguém consegue sentir alguma coisa além de náuseas quando escuta Bonde das Popozudas?
Ah, meu Deus. Cada dia mais tenho a certeza de que não nasci na época certa. Ou são lembranças das minhas vidas passadas.
Ah, que saudades dos meus vestidões de ópera...
18 agosto 2009
Sonhos

Você já teve que abdicar de um sonho?
Não, não me refiro a deixar de comprar um sonho de creme por um de doce de leite. Me refiro a sonhar, desejar, almejar, lutar para que aquilo aocnteça, e quando finalmente acontece, você tem que abrir mão em prol de algo maior.
Desde ontem minha cabeça gira, choro, meu coração até dói um pouco. Mas para realizar outro sonho, maior até que esse, terei que dizer "não".
Talvez o "não" mais difícil de toda minha vida. Um "não" para tudo o que desejei ainda nova, que desejei até ano passado, que sonhei inúmeras vezes, que lutei para conseguir, que me esforcei. Ma um "não" que significa um imenso "sim" para meu futuro, para os meus valores, meus princípios, que são as coisas que mais prezo em minha vida.
Hoje uma palavra me machuca para que outra venha me curar.
Porém mesmo sabendo disso tudo...como é difícil abdicar de um sonho...meu Deus...
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