23 dezembro 2009

É final de ano...


Toooooooodo mundo dando "Boas Festas". Que beleza, né?

E tooooodo ano eu sempre tenho que dissertar sobre a hipocrisia do ser humano, dessa coisa que só aparece no Natal, de falsidade.

Esse ano, não. Não quero falar sobre isso, não quero me sentir revoltada. Esse ano eu resolvi ser feliz com isso (ou apesar disso).

Esse ano ganhei presentes materiais e não materiais. Me sinto mais experiente, um pouco mais sábia, mais inteligente, mais interessante. Ganhei alguns defeitos também. Estou menos paciente, mais exigente, mais brava, mais inconformada, mais revoltada com as coisas erradas, o que me torna mais justa também.

Esse ano eu li mais, conversei mais, exercitei meu humor, meu sarcasmo, voltei para minha terapia. Me exercitei bem menos, comi muito mais. Engordei, óbvio!

Mas esse ano não me vi neurótica com o peso. Me aceito mais. Pondero mais as coisas. Se é de comer que eu gosto e os quilos a mais não afetam minha saúde, não vejo problema em cultivar minha pancinha.

Fui à mais restaurantes, fiz mais programas culturais. Fui à exposições, peças, ballet, cinemas. Conheci mais coisas novas.

Ganhei um noivo, algo que eu nunca imaginei ter. Eu que me achava tão moderna, me peguei noivando, marcando casamento, e na igreja!

Encontrei de novo o amor. De novo porque renovamos nosso pedido de namoro em todos os aniversários. E é sempre lindo!

Ganhei o cachorrinho que eu sempre quis! Nossa, que alegria me trouxe essa pequena Azeitona! É tudo o que eu sonhava mesmo. Alegre, esperta, inteligente e agora manda em todos os outros cães da casa! Amei!

As coisas materiais não vou ficar enumerando, não. Desnecessário. O que posso dizer é que sou uma pessoa muito feliz!!

Tantas coisas em um só ano, e eu ainda me sinto ansiosa por outras tantas que estão por vir...como pode caber tanta ansiedade dentro de uma pessoa só?

Bom, toda essa ladainha é para dizer que, apesar do mundo, apesar das pessoas, apesar dos contratempos, a vida vale a pena. Sempre!

Vou me juntar ao grupo dos carolas agora e desejar que todos tenham um Natal bem próximo daqueles de filmes felizes, com árvore de Natal, gente feliz, comida gostosa e amor, muito amor!

E que nosso próximo ano seja cheio de boas surpresas!!

HAPPY HOLIDAYS!!

Aloha! =]

22 dezembro 2009

Quebra-Nozes...



Eu e Chris estávamos outro dia conversando sobre listas de desejo. Sabe aquelas listinhas que a gente faz mentalmente, ou no diário, no blog, em um caderninho, enfim. Sabe?

Pois é, eu sou a menina das listinhas! Tenho listinhas de tudo na minha cabeça. E devo dizer que não sou apenas uma menina de listinhas, costumo realizar esses desejos.

E falando em realizar, ontem realizei mais um. Fui assistir ao ballet Quebra-Nozes.

Enquanto eu esperava, olhava o teatro, sentamos no balcão. Ah, eu sempre quis assistir um ballet, sentada no balcão, como naqueles filmes antigos, com as mulheres bem vestidas e tal.

É, a parte das pessoas bem vestidas a gente pula, porque ninguém estava com aqueles vestidos de assistir ópera, sabe? O traje de gala era calça jeans. Tudo bem, vai. Não se pode ter tudo.

Mas mesmo assim era lindo! As luzes, as pessoas entrando, procurando o melhor lugar, as crianças ansiosas e eu ali, mais ansiosa que elas.

As luzes começam a baixar, uma voz dá as instruções habituais de qualquer espetáculo. "Por favor, desliguem seus celulares e pagers." Será que as pessoas não ouvem direito? DES-LI-GUEM! Pois é, mas o sujeito ao meu lado não compreendeu direito a palavra, e a porcaria do celular dele tocou no meio de uma cena. Ai, que raiva!

A música começa. Meus olhos já começam a se encher de lágrimas, ficam brilhantes à espera dos bailarinos.
Acho que toda menina gosta de bailarinas, né? Mesmo que não dance, mas acho que a bailarina é um símbolo de meninas. Aqueles gestos delicados, aquele sorriso plácido, aquela pontinha de pé...que coisa bonita!

Começa de fato! Ué, não tem dança? Calma, é uma peça, ballet ou não. As pessoas não entram já rodopiando. Mas a minha ansiedade me fazia pensar assim.

As bailarinas até andando são bonitas, né? No palco, elas andam com o pezinho virado, uma graça só!

Vem o primeiro rodopio. Não sei o que me emociona tanto, se a música belíssima de Tchaikovsky ou a delicadeza daquela menina-bailarina, só sei que uma lágrima cai. Os olhos brilham. Chris percebe meu gesto bem discreto, a fim de enxugar o rosto, e sorri.

E a cada cena, mais emoção. Os olhos brilham cada vez mais, os pelos do braço arrepiam. Sinto o coração transbordando.

A música clássica é para mim um verdadeiro milagre. Sem emitir uma só palavra, ela é capaz de expressar mais sentimentos do que qualquer dicionário.
É como se cada instrumento tivesse um idioma próprio, e que não precisamos estudar para entender, basta deixar que o som entre pelos ouvidos e seja canalizado até o coração.

Fim do primeiro ato. Comentários gerais. Lóóóógico que eu e Chris tínhamos que alfinetar o sujeito do celular. Mas coitado, pode ter sido só um momento de distração, e ele esqueceu de desligar. Acontece com qualquer um.
Mas falamos mesmo é sobre isso, sobre esse fascínio, e de como tudo é tão bonito ali. É como se o mundo lá fora não existisse, apenas beleza, sensibilidade, sutileza, harmonia. É como se somente coisas belas existissem no mundo. Eu moraria ali.

Começa o segundo ato. O reino dos doces. Ah, ali as crianças se reconhecem. Mesmo pequenas, mesmo leigas, mesmo que não entendam nada de música, elas se reconhecem.
Lá embaixo, na primeira fila, uma pequena se encanta tanto, que fica em pé, imitando os movimentos da bailarina. Ela realiza meu desejo, que, graças à minha maturidade infeliz e os padrões de comportamento exigidos pela minha não tão tenra idade, não posso concretizar. Uma pena.
E a cada cena, onde nós, os adultos embasbacados, aplaudimos, as crianças nos seguem, mas com mais entusiasmo. E quando todos encerram seus aplausos, ainda se ouvem aquelas palminhas pequenas batendo fora do tempo. Quero dizer, fora do nosso tempo, né? Porque elas continuam gostando, e portanto, aplaudindo.

Não me canso de dizer o quanto tudo parecia irreal, de uma beleza que não estamos acostumados, infelizmente.

Fim do ato, fim do espetáculo. Não cansamos de aplaudir. E segundo Chris, ainda foi pouco. Aplaudiríamos ali a noite toda, se eles não precisassem descansar para enfrentar a segunda sessão.

Saímos daquele lindo teatro com vontade de rodopiar e cantarolar as músicas. Sentamos em um restaurante, e ainda extasiados, comentávamos sem parar. E namoramos, romanticamente, no restaurante onde comemoramos nosso noivado. Uma noite impecável, eu diria.

Na volta para casa, dentro do carro, me peguei pensando em como uma pessoa pode gostar de funk?
Só pode ser porque ela nunca ouviu Tchaikovsky, Beethoven, Mozart, Chopin.

Não sou conhecedora de quase nada, não tenho um ouvido super crítico. Mas tenho um coração, e ele sente a música. Será possível que alguém consegue sentir alguma coisa além de náuseas quando escuta Bonde das Popozudas?

Ah, meu Deus. Cada dia mais tenho a certeza de que não nasci na época certa. Ou são lembranças das minhas vidas passadas.

Ah, que saudades dos meus vestidões de ópera...

10 dezembro 2009

Sem saber o título...

Sei lá, ando injuriada, sabe?

Esses dias conversei com 3 pessoas que não conversava há muito tempo. Quer dizer, umas mais, outras menos, mas enfim, muito tempo.

Uma foi minha amiga de infância mesmo. Nos conhecemos quando tínhamos 6 anos. Melhores amiguinhas na escola, dividíamos até os amores, uma infância gostosa de ser lembrada. Recuperações de matemática, lanches na escola, tardes em casa, muito bom.
Conversamos de tempos em tempos, e sempre temos assunto para colocar em dia.
Hoje ela tem uma filha, de 10 anos, e que faz exatamente as mesmas coisas que nós. meu Deus...tempo malvado, não?
Pena é que nossos horários são sempre curtos, mas ela está a par do casório e está bem feliz com isso. Disse que faz questão de me ver na igreja de branquinho e tudo. Também faço questão absoluta dela!

Depois conversei com um amigo que foi amor. Amor de cursinho, época dura em que eu nem sabia direito o que queria, mas sabia quem gostava (rs...). Dividida entre amores, um na escola, outro no cursinho, e sabe mais quantos por aí pela vida, porque nessa idade a gente ama muita gente, né?
Ele sempre foi uma espécie de "guru veterinário", já que somos colegas de profissão, mas ele se formou bem antes de mim.
Também se casou, está à espera do primeiro filho, mas sabe quando já não existe aquela amizade?
Fiquei ali parada, olhando para a tela do computador, à espera da janelinha piscante do MSN, mas sentia nossa conversa um pouco distante. Acho que sua esposa não gosta muito dessa nossa proximidade, e uma vez até deu problema com relação à isso.
Enfim...as pessoas casam, optam por ter sua vida, e alguns amigos já não fazem mais parte dela, porque é assim que é.
Fiquei me sentindo um pouco triste. Entendo perfeitamente, claro. Se Chris também não gostasse de alguma amizade minha, eu tentaria persuadi-lo, mostrar que é a ele que amo, e se mesmo assim não resolvesse, eu optaria pelo meu companheiro, claro.
Mas fiquei triste em sabe que o ser humano é assim, restringe as amizades, e que nós temos mesmo que "peneirar" alguns amigos.

Depois conversei com outro amigo, alguém que adoro, gosto mesmo, de verdade. Alguém que muitas vezes me aconselhou, que esteve comigo, ainda que virtualmente. Mas nossas conversas eram tão profundas que eu era capaz de sentir sua respiração por perto.
Numa época diferente de hoje, nosso relacionamento chegou a ser uma coisa, digamos, apaixonada. Sentir falta de alguém que não se vê toda hora, que não se encontra, o verdadeiro significado de amor platônico da era tecnológica.
Foi amor, eu acredito que sim. Um amor diferente, estranho, bom como qualquer amor, mas com uma certa dose de "sofrimento" por estar longe. Um ano assim, sem conseguir se ver, se comunicar além do computador, poucas vezes por telefone ou mensagens de celular.
Até brigas existiram, daquelas de ficarmos dias sem conversar. E reconciliações. Mas nunca encontros reais.
Um dia meu príncipe apareceu. Não aceitei logo de cara, ele foi me conquistando. E quando vi, estava namorando.
Meu então platônico pretendente me culpa até hoje de não termos dado chance a nós dois, de não sabermos se iria dar certo ou não.
E eu fico ainda triste, porque perdi um amigo de quem gostava muito.
Sei que não daríamos certo, pelo simples fato de que nada deu certo para que nos uníssemos. Nós, o destino, o tempo, tivemos tudo para nos encontrarmos e isso não aconteceu. Não deu certo, de qualquer maneira.

Fico meio entristecida com as relações humanas. Tudo tão complexo e ao mesmo tempo tão simples.

Não sei porque me chateio, pra ser bem sincera. Mas me chateio.

Preciso voltar pra casa urgente. Meu cachorro não complica tanto meu coração.