Não sei se o pai tem papéis diferentes na vida de filhos e filhas. Quero dizer, se ele representa coisas diferentes para meninos e meninas. Só posso falar sobre o que meu pai representa para mim.
Sou menina, apesar do jeito às vezes de moleque. E sou assim justamente devido a ele.
Quando mamãe percebeu que algo nãoe stava muito certo dentro dela, já era tarde. Lá estava eu, um ser estranho, quase que uma minhoquinha, se desenvolvendo dentro do seu ventre.
Não sei como foi a reação, mas se bem conheço meu pai, ele deve ter se apavorado por dentro, mas mostrou a maior calma por fora.
Meu pai sempre tem solução para tudo!
O mundo pode estar caindo, que ele vem sempre com alguma solução. E geralmente essas soluções dão certo, e quando dão, ele vem com aquela cara de sarrista dele e ainda ri da nossa cara de preocupado. "Mas vocês são mole mesmo...". Assim mesmo, verbo no plural, substantivo no singular, o jeito peculiar dele de falar.
Mas voltando à saga do meu crescimento no ventre de minha mamis. Então, ele deve ter olhado para a cara de mamãe e dito: "É, agora temos que cuidar desse bichinho aí!".
E os dois devem ter trabalhado como loucos, pensando em como seria a minha chegada, a chegada do filhote deles.
Eu disse "filhote"? Sim, filhote, e macho ainda. Porque meu pai, como bom machista, achava que teria um primogênitO e nunca uma primogênitA.
Eita, lascou-se! Nasci! Uma menina! Cabeçuuuuuuda como ela só, mas engraçadinha.
Acho que na hora em que minha mãe voltou para casa comigo nos braços (porque meu pai estava trabalhando quando nasci, e naquela época não havia essa moleza toda de licença-paternidade), ele deve ter olhado e pensado: "É...já que não deu, vamos ver como essa baixinha se vira.".
E assim cheguei e cresci, meio como um menino. Joguei bola, brinquei de carrinho, usei cabelinho de cuia e vesti macacãozinho do tricolor.
É, porque entre as milhares de coisas que meu pai me ensinou, uma das melhores foi ser são-paulina até o último fio de cabelo! Sempre tricolor!
Aprendi tantas coisas que me perco até para enumerar.
Aprendi que pai faz um churrasco maravilhoso, muito melhor que qualquer churrascaria.
Aprendi que pai briga feio para que a gente possa crescer decentemente.
Aprendi que quando ele fazia aquela cara feia para mim, não era para me deixar triste, e sim para que eu não saísse de casa com aquela roupa curta, com aquela pessoa estranha, com amigos interesseiros, brigada com minha mãe, ou qualquer outro motivo tosco de adolescente.
Aprendi que quando ele me castigava por não saber matemática, era para me ensinar que na vida eu teria muitas contas a acertar. Mas essa realmente não deu muito certo, pois ainda não sei tabuada.
Aprendi que quando ele não dava muita bola para um namorado meu era porque o cara realmente não merecia. E como demorei a entender isso.
Aprendi que quando ele não me deixava viajar, não era para me afastar das amigas, e sim porque se preocupava de verdade comigo.
Aprendi que o importante não é ter as coisas para ostentar, e sim merecê-las.
Aprendi que por mais que a gente critique e não entenda os pais, um dia nos veremos fazendo exatamente as mesmas coisas que eles.
Eu aprendi que quando tiver meus filhos, vou fazer tudo mais ou menos igual. Tirando a parte do castigo na tabuada. rs...
Meu pai, assim como quase todos os pais, é o melhor pai do mundo. Simplesmente porque é O MEU!!!
Feliz Dia dos Papis para todos que são e que serão!!
Aloha! =]
09 agosto 2009
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