
Cumprindo meu solitário ritual dos finais de tarde, estava assistindo um filme.
Uma pausa para discorrer sobre esse ritual. O bom dessa solidão é que tenho um tempo realmente só meu, em que posso me dar ao luxo de fazer coisas que provavelmente eu não faria se estivesse na companhia de mais alguém. Coisas que a Fernanda gosta de dividir com a Fernanda.
Um outro ponto positivo é que tenho tempo também de assistir todos os programas e filmes que gravo na TV (bendita seja a TV digital!).
Voltando ao início, enfim, reservei a tarde de ontem para estar em companhia de uma das minhas divas favoritas, Mrs. Audrey Hepburn.
Desde muito nova sempre fui fã de seu estilo, de sua elegância, de sua voz meiga e olhar doce. Adoraria ser aquela pessoa.
E mesmo admirando tanto, conhecendo um pouco de sua história, não sei porque nunca havia assistido "Bonequinha de Luxo". Um arrependimento eterno.
Mas como dizem que tudo acontece na hora certa, talvez só agora é que minha mente estivesse pronta para assimilar o filme.
Conhecia a história, já li inúmeras sinopses, tanto que conheci a Tiffany's devido ao título em inglês, "Breakfast at Tiffany's". E confesso que meu fascínio pela grife começou aí.
Sempre gostei de filmes antigos, de clássicos, gosto de tudo que é de bom gosto. Mas Bonequinha de Luxo tem realmente uma magia.
A voz de Audrey cantando "Moon River", sentada na janela, é algo que toca na alma. Como se a música penetrasse nos poros, no coração.
O jeito alegre, tagarela, meio displicente, o sorriso que esconde inquietações e a forma de esconder um desespero com esperanças me faz lembrar alguém.
A cena em que ela tem um surto ao saber da morte do irmão (única pessoa que ela verdadeiramente ama) realmente tem muito a ver com o momento em que essa pessoa a que me referi acima está passando.
Os relacionamentos conturbados que vive, na esperança de ser "alguém" na vida, também me lembra muitas coisas do passado.
Encontrar o amor de maneira despretensiosa, onde menos esperava, em alguém que estava em um relacionamento doentio, também me é familiar. E alguém que faz de tudo para que ela tenha uma peça da Tiffany's? É, realmente...
Mas nada me marcou mais que a cena onde ela simplesmente joga seu gato para fora do taxi, numa tentativa de livra-se de si mesma, como se estivesse jogando na sarjeta aquilo que ela realmente é, alguém precisando se assumir, se amar e se deixar amar.
O gato vai pelo beco, na chuva. E ela volta para buscá-lo, num desespero de resgatar a própria vida. E ela resgata. Ou é resgatada.
Uma linda cena de amor, com todos os elementos que mais gosto: um beijo de cinema, muita chuva e um gato no meio.
Terminando esse texto entendi porque nunca havia assistido antes. Meu filme ainda não estava pronto.
Hoje ele tem a atriz principal, seu par romântico...e um gato. Só agora estava pronta para saber o final do filme.
Holly Golightly. Prazer.
2 comentários:
ahh Fê q post lindo, esse filme é maravilhoso...mas a minha diva é a Marilyn rsrs ;)
Tudo tem a hora certa.
Nunca assisti também. Nem esse, nem muitos outros clássicos! Como as pessoas eram bonitas, as vozes graves, especialmente nos filmes das décadas de 40 e 50!
Eu também adoro ficar sozinha às vezes...mas depois que casei, ficou mais difícil. Uma porque a gente quer dividir tudo, a vida multiplica por dois. Outra porque raramente estamos sozinhos depois de casar...E meu marido N-U-N-C-A ia conseguir assistir a um filme desses inteiro comigo porque não tem bang bang, piadas inúteis, homens broncos...
Nosso instinto feminino materno sempre nos leva a fazer o gosto dos outros...que horror! Você que vai casar, abre o olho! rs
Falando em filmes antigos, uma dica para os tempos natalinos: The Blue Bird (O pássaro azul) com a Shirley Temple, de 1940. É excepcional. Não tem um gato, mas tem uma gata e um cachorro. Acho que serve. Desse, meu marido gosta!
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