25 janeiro 2010

Desabafo.

Hoje meu título não tem reticências. Não estou pensativa, melancólica, nem nada. Estou triste.

Se alguém me perguntar hoje o que sou, sou triste.

Tantas pessoas me dizem que não devo me expor, falar dos meus sentimentos, expor minha vida em blogs. Não me importo. Hoje quero falar porque minha garganta dói, meu estômago dói, meu coração quase quer parar.

Sou uma pessoa quase sem amigos físicos. Quando preciso, não tenho ombro para chorar. Choro em meu próprio na maior parte das vezes.

Tenho amigas que me amam, tenho certeza disso, mas infleizmente a maldita geografia insiste em me manter longe daqueles que amo. E isso por si só já me faz triste.

Tenho um amor, um amor imenso, que me ama de forma que nunca fui amada. Mas não posso dividir todo o peso dos meus ombros com ele, não é justo, ele já tem os próprios fardos.

Não tenho profissão, não tenho carreira. Não tenho dinheiro. Não tenho segurança.

Não tenho alegrias. Não tenho muito o que comemorar.

Um dos meus grandes prazeres já está sendo tirado de mim. Não posso mais comer tudo o que gosto.

Minha amada cachorrinha morreu. Outro de meus grandes prazeres se foi também.

Sou uma pessoa invisível, não tenho forma, não tenho cor. Sou transparente aos olhos do mundo.

Sou toda pensamentos, sentimentos, que são jogados fora pelas pessoas, todos os dias.

Não grito, não anuncio a minha dor. Tenho somente minhas palavras escritas, aqui ou em me diário. Não falo abertamente, ao vivo, com as pessoas sobre essa dor.

Quando falo, sou julgada, rotulada. Sou briguenta, implicante, invejosa. Esses são alguns adjetivos atribuídos à minha pessoa. Não sei se sou mesmo isso tudo, ou se insistem em não me conhecer. Só sei que a dor existe, e essas palavras sangram meu coração e o fazem dar as pequenas paradas, que os médicos chamam de extra-sístoles.

Cada uma dessas palavras tem um destino certo.

Briguenta, segundo meus exames, chama-se gastrite.
Implicante, lesão no fígado.
Invejosa, extra-sístoles.
Outros adjetivos, colesterol alto.

São 8:36h. Cheguei às 5:30h e ainda não consegui tomar café. Uma funcionária de férias, e o seu substituto não pôde ficar, pois está passando mal.

É, só eu posso trabalhar passando mal. Do coração, do estômago e da alma.

E ainda ouvir meus adjetivos.

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