Hoje meu título não tem reticências. Não estou pensativa, melancólica, nem nada. Estou triste.
Se alguém me perguntar hoje o que sou, sou triste.
Tantas pessoas me dizem que não devo me expor, falar dos meus sentimentos, expor minha vida em blogs. Não me importo. Hoje quero falar porque minha garganta dói, meu estômago dói, meu coração quase quer parar.
Sou uma pessoa quase sem amigos físicos. Quando preciso, não tenho ombro para chorar. Choro em meu próprio na maior parte das vezes.
Tenho amigas que me amam, tenho certeza disso, mas infleizmente a maldita geografia insiste em me manter longe daqueles que amo. E isso por si só já me faz triste.
Tenho um amor, um amor imenso, que me ama de forma que nunca fui amada. Mas não posso dividir todo o peso dos meus ombros com ele, não é justo, ele já tem os próprios fardos.
Não tenho profissão, não tenho carreira. Não tenho dinheiro. Não tenho segurança.
Não tenho alegrias. Não tenho muito o que comemorar.
Um dos meus grandes prazeres já está sendo tirado de mim. Não posso mais comer tudo o que gosto.
Minha amada cachorrinha morreu. Outro de meus grandes prazeres se foi também.
Sou uma pessoa invisível, não tenho forma, não tenho cor. Sou transparente aos olhos do mundo.
Sou toda pensamentos, sentimentos, que são jogados fora pelas pessoas, todos os dias.
Não grito, não anuncio a minha dor. Tenho somente minhas palavras escritas, aqui ou em me diário. Não falo abertamente, ao vivo, com as pessoas sobre essa dor.
Quando falo, sou julgada, rotulada. Sou briguenta, implicante, invejosa. Esses são alguns adjetivos atribuídos à minha pessoa. Não sei se sou mesmo isso tudo, ou se insistem em não me conhecer. Só sei que a dor existe, e essas palavras sangram meu coração e o fazem dar as pequenas paradas, que os médicos chamam de extra-sístoles.
Cada uma dessas palavras tem um destino certo.
Briguenta, segundo meus exames, chama-se gastrite.
Implicante, lesão no fígado.
Invejosa, extra-sístoles.
Outros adjetivos, colesterol alto.
São 8:36h. Cheguei às 5:30h e ainda não consegui tomar café. Uma funcionária de férias, e o seu substituto não pôde ficar, pois está passando mal.
É, só eu posso trabalhar passando mal. Do coração, do estômago e da alma.
E ainda ouvir meus adjetivos.
24 janeiro 2010
Devaneios...
Depois de alguns relacionamentos meio enfadonhos e completamente fracassados, depois de muitas noites sem dormir, coração dilacerado, pensamentos confusos e auto estima rastejante, ela resolveu que não seria mais assim. Nunca mais.
Leu todos os livros possíveis de auto ajuda, conversou com pessoas mais velhas, mais novas, terapeutas, colheu experiências, escutou, assimilou. Se tornou mais esperta.
Em dado momento chegou a acreditar que fosse superior a qualquer sentimento e que jamais se apaixonaria novamente. Ledo engano.
Uma amizade de anos, histórias passadas, lembranças quase infantis. Conversas regadas a risadas e lembranças de tempos onde a inocência imperava. Mais por parte dela, com certeza.
Amizade essa que veio em momento oportuno, para apaziguar um coração solitário, carente de sentimentos puros, amizade em seu estado sólido. Não tão puramente amizade que não pudesse se tornar admiração, e mais tarde, paixão.
As conversas se tornaram diárias, constantes, necessárias. Ele ocupado com questões sociais, mostrava um lado humano intenso, militante, caridoso, mas com certa dose de rebeldia, indignação. Até inocente, diriam alguns céticos, por querer mudar o mundo com suas mãos. E acreditar nisso. Ela acreditava.
Ela encantada, como se estivesse diante de um ser que não existe no mundo real. E sinceramente, ela não sabia se existia mesmo. Depois de tantas coisas sórdidas, era custoso para ela acreditar que existisse bondade gratuita no mundo.
Seu coração se encheu de um sentimento que ela jamais soube definir. Como definir algo que se sente, mas que não se vê, não se pode ter a certeza do toque, do cheiro, da física? Uma pessoa quase científica, que custa a acreditar nas coisas inexplicáveis da vida.
Um sentimento que se estendeu por dias, semanas, meses. Uma vontade de entender se o que se passava era real. Mas eternos desencontros, frases que soavam desculpas, empecilhos, tudo parecia impedir que essa prova se realizasse.
Dizem que o destino é feito por quem acredita nele. E por que esse encontro não aconteceu, se ambos estavam procurando por isso? Essa era a questão que rondava seus pensamentos.
Viver um amor surreal já não lhe parecia justo. Muito injusto com um coração que havia visto tanta maldade.
Ela guardou em seu coração, mais uma vez, lembranças de um sentimento bom, que a fez suportar dores que insistiam em conviver com sua alma. E tentou entender a razão por trás disso tudo, mas não conseguiu.
Hoje, a menina se encontra feliz. Encontrou um amor real, sólido, que a mostra todos os dias que o amor em seu estado verdadeiro avança qualquer barreira. É como um rio que contorna os obstáculos, sem que pra isso haja destruição.
Não é a vida perfeita, pois como ela um dia ouviu, "para que alguém tenha uma vida perfeita, é necessário que outra pessoa derrame suas lágrimas".
Sua vida está longe da perfeição. Ela nem deseja isso. Não quer ser feliz às custas das lágrimas de outrem.
Em seu coração ainda existem as lembranças de um encontro que nunca aconteceu, uma saudade de algo que não se concretizou. Mas que foi tão real a ponto de causar uma cicatriz visível em seu coração. E que sempre estará lá, lembrando que mesmo o amor não é perfeito.
Hoje ela apenas sonha em ser amada, na mesma proporção e intensidade com que distribui seu amor.
Acho que as pessoas mudam, mas os sonhos, não.
Leu todos os livros possíveis de auto ajuda, conversou com pessoas mais velhas, mais novas, terapeutas, colheu experiências, escutou, assimilou. Se tornou mais esperta.
Em dado momento chegou a acreditar que fosse superior a qualquer sentimento e que jamais se apaixonaria novamente. Ledo engano.
Uma amizade de anos, histórias passadas, lembranças quase infantis. Conversas regadas a risadas e lembranças de tempos onde a inocência imperava. Mais por parte dela, com certeza.
Amizade essa que veio em momento oportuno, para apaziguar um coração solitário, carente de sentimentos puros, amizade em seu estado sólido. Não tão puramente amizade que não pudesse se tornar admiração, e mais tarde, paixão.
As conversas se tornaram diárias, constantes, necessárias. Ele ocupado com questões sociais, mostrava um lado humano intenso, militante, caridoso, mas com certa dose de rebeldia, indignação. Até inocente, diriam alguns céticos, por querer mudar o mundo com suas mãos. E acreditar nisso. Ela acreditava.
Ela encantada, como se estivesse diante de um ser que não existe no mundo real. E sinceramente, ela não sabia se existia mesmo. Depois de tantas coisas sórdidas, era custoso para ela acreditar que existisse bondade gratuita no mundo.
Seu coração se encheu de um sentimento que ela jamais soube definir. Como definir algo que se sente, mas que não se vê, não se pode ter a certeza do toque, do cheiro, da física? Uma pessoa quase científica, que custa a acreditar nas coisas inexplicáveis da vida.
Um sentimento que se estendeu por dias, semanas, meses. Uma vontade de entender se o que se passava era real. Mas eternos desencontros, frases que soavam desculpas, empecilhos, tudo parecia impedir que essa prova se realizasse.
Dizem que o destino é feito por quem acredita nele. E por que esse encontro não aconteceu, se ambos estavam procurando por isso? Essa era a questão que rondava seus pensamentos.
Viver um amor surreal já não lhe parecia justo. Muito injusto com um coração que havia visto tanta maldade.
Ela guardou em seu coração, mais uma vez, lembranças de um sentimento bom, que a fez suportar dores que insistiam em conviver com sua alma. E tentou entender a razão por trás disso tudo, mas não conseguiu.
Hoje, a menina se encontra feliz. Encontrou um amor real, sólido, que a mostra todos os dias que o amor em seu estado verdadeiro avança qualquer barreira. É como um rio que contorna os obstáculos, sem que pra isso haja destruição.
Não é a vida perfeita, pois como ela um dia ouviu, "para que alguém tenha uma vida perfeita, é necessário que outra pessoa derrame suas lágrimas".
Sua vida está longe da perfeição. Ela nem deseja isso. Não quer ser feliz às custas das lágrimas de outrem.
Em seu coração ainda existem as lembranças de um encontro que nunca aconteceu, uma saudade de algo que não se concretizou. Mas que foi tão real a ponto de causar uma cicatriz visível em seu coração. E que sempre estará lá, lembrando que mesmo o amor não é perfeito.
Hoje ela apenas sonha em ser amada, na mesma proporção e intensidade com que distribui seu amor.
Acho que as pessoas mudam, mas os sonhos, não.
07 janeiro 2010
Minha pseudo gravidez...
Todas as meninas tem amigas.
Amigas de rir, de chorar, de escola, de adolescência, de infância, de balada, de faculdade, de trabalho, e por aí vai.
E às vezes temos AMIGAS. Aquelas pra quem contamos primeiro sobre um novo paquera, um novo namorado, o noivado, o casamento, a gravidez.
É, gravidez. Já cheguei nessa fase, onde minhas amigas agora me contam gestações.
E dias atrás, minha amiga me contou sobre a dela. Ah, que emoção! Emoção mesmo, daquelas de deixar a gente tremendo, e até nos fazer chorar! Eu chorei...
Sylvia é minha amiga de faculdade, mas é como se tivéssemos passado a vida juntas. Sabemos e lembramos coisas do passado, comentamos o presente, projetamos o futuro. Passamos horas no MSN planejando, discutindo, trocando idéias a respeito de qualquer coisa. E há algum tempo venho acompanhando sua vontade de engravidar.
Quando ela começou a se sentir esquisita, logo pensei: ela está grávida!
Não quis dizer nada, para não gerar aquela expectativa, sabe? É normal, quis poupar minha amiga daqueles comentários pentelhos que as pessoas fazem, que fazem a gente se encher de sonhos, e quando não acontecem, ainda temos que ouvir: "Ah, que pena...mas fica calma que vai chegar, viu, fia!". Argh!
Preferi ficar quieta, e esperar. Sabia que uma boa notícia podia chegar. E chegou!
Quando naquele dia de manhã, ela me manda uma foto logo cedo, pedindo pra eu ver, e era a foto do exame de farmácia, quase surtei aqui! Choreeei, chorei...
Chorei de alegria por ver minha amiga realizando um sonho, chorei de felicidade. Mas acho que chorei também por outros motivos. Chorei porque virei adulta.
Quando eu me refiro ao bebê como "nosso bebê" não quer dizer que ela não tenha marido, nem família, nem que eu sou madrinha, nada disso. Quer dizer que sinto essa criança um pouco minha porque sinto aquela barriga um pouco minha. E não só minha, mas da Dianny, da Dani, da Ítala, e das outras amigas de faculdade com quem dividimos sonhos, fofocas e garrafas de vinho barato.
Naquela barriga eu vejo um passado que se foi, que vivemos, as angústia de uma adolescência, as burradas que cometemos, as amizades que fortalecemos, vejo um pouco da minha vida.
Vejo um futuro que está prestes a chegar para ela, para mim, para outras tantas amigas que dividem comigo essa mudança.
Vejo uma nova fase. Uma nova Fernanda.
Eu chamo esse bebezinho de nosso porque muito da minha vontade de ser mãe está ali, se formando junto com ele.
Amiga, quero que saiba que não falo assim por sentir posse sobre ele, viu. Falo porque meu bebê está se formando mentalmente, junto com o seu, e você sabe bem o que quero dizer.
Por isso me sinto feliz como se fosse comigo. Porque em partes, é.
E sei que muitas das minhas amigas ficarão felizes assim quando chegar a minha vez. Não vejo a hora!
Mas vamos com calma, né? Para quem até anteontem era uma "criança" , as coisas não podem correr depressa demais...
Toda saúde, força, sorte e sabedoria do mundo para você, minha amiga querida!!
Que venha meu sobrinho! Ou sobrinha! (ai, que ansiedade! rsrs...)
Aloha! =D
06 janeiro 2010
Azeitona...
Somente a título de registro, ontem meu sonho realizado se foi.
Azeitona, minha pug querida, se foi.
Não quero dar detalhes, não quero falar mais nada. Só quero registrar aqui, para que um dia, quando me sentir mais confortável com a dor, eu escreva sobre essa fugurinha notável, que me fez mais feliz por algum tempo, ainda que pouco.
O amor sempre vale a pena, qualquer que seja sua forma.
Azeitona, minha pug querida, se foi.
Não quero dar detalhes, não quero falar mais nada. Só quero registrar aqui, para que um dia, quando me sentir mais confortável com a dor, eu escreva sobre essa fugurinha notável, que me fez mais feliz por algum tempo, ainda que pouco.
O amor sempre vale a pena, qualquer que seja sua forma.
23 dezembro 2009
É final de ano...

Toooooooodo mundo dando "Boas Festas". Que beleza, né?
E tooooodo ano eu sempre tenho que dissertar sobre a hipocrisia do ser humano, dessa coisa que só aparece no Natal, de falsidade.
Esse ano, não. Não quero falar sobre isso, não quero me sentir revoltada. Esse ano eu resolvi ser feliz com isso (ou apesar disso).
Esse ano ganhei presentes materiais e não materiais. Me sinto mais experiente, um pouco mais sábia, mais inteligente, mais interessante. Ganhei alguns defeitos também. Estou menos paciente, mais exigente, mais brava, mais inconformada, mais revoltada com as coisas erradas, o que me torna mais justa também.
Esse ano eu li mais, conversei mais, exercitei meu humor, meu sarcasmo, voltei para minha terapia. Me exercitei bem menos, comi muito mais. Engordei, óbvio!
Mas esse ano não me vi neurótica com o peso. Me aceito mais. Pondero mais as coisas. Se é de comer que eu gosto e os quilos a mais não afetam minha saúde, não vejo problema em cultivar minha pancinha.
Fui à mais restaurantes, fiz mais programas culturais. Fui à exposições, peças, ballet, cinemas. Conheci mais coisas novas.
Ganhei um noivo, algo que eu nunca imaginei ter. Eu que me achava tão moderna, me peguei noivando, marcando casamento, e na igreja!
Encontrei de novo o amor. De novo porque renovamos nosso pedido de namoro em todos os aniversários. E é sempre lindo!
Ganhei o cachorrinho que eu sempre quis! Nossa, que alegria me trouxe essa pequena Azeitona! É tudo o que eu sonhava mesmo. Alegre, esperta, inteligente e agora manda em todos os outros cães da casa! Amei!
As coisas materiais não vou ficar enumerando, não. Desnecessário. O que posso dizer é que sou uma pessoa muito feliz!!
Tantas coisas em um só ano, e eu ainda me sinto ansiosa por outras tantas que estão por vir...como pode caber tanta ansiedade dentro de uma pessoa só?
Bom, toda essa ladainha é para dizer que, apesar do mundo, apesar das pessoas, apesar dos contratempos, a vida vale a pena. Sempre!
Vou me juntar ao grupo dos carolas agora e desejar que todos tenham um Natal bem próximo daqueles de filmes felizes, com árvore de Natal, gente feliz, comida gostosa e amor, muito amor!
E que nosso próximo ano seja cheio de boas surpresas!!
HAPPY HOLIDAYS!!
Aloha! =]
22 dezembro 2009
Quebra-Nozes...

Eu e Chris estávamos outro dia conversando sobre listas de desejo. Sabe aquelas listinhas que a gente faz mentalmente, ou no diário, no blog, em um caderninho, enfim. Sabe?
Pois é, eu sou a menina das listinhas! Tenho listinhas de tudo na minha cabeça. E devo dizer que não sou apenas uma menina de listinhas, costumo realizar esses desejos.
E falando em realizar, ontem realizei mais um. Fui assistir ao ballet Quebra-Nozes.
Enquanto eu esperava, olhava o teatro, sentamos no balcão. Ah, eu sempre quis assistir um ballet, sentada no balcão, como naqueles filmes antigos, com as mulheres bem vestidas e tal.
É, a parte das pessoas bem vestidas a gente pula, porque ninguém estava com aqueles vestidos de assistir ópera, sabe? O traje de gala era calça jeans. Tudo bem, vai. Não se pode ter tudo.
Mas mesmo assim era lindo! As luzes, as pessoas entrando, procurando o melhor lugar, as crianças ansiosas e eu ali, mais ansiosa que elas.
As luzes começam a baixar, uma voz dá as instruções habituais de qualquer espetáculo. "Por favor, desliguem seus celulares e pagers." Será que as pessoas não ouvem direito? DES-LI-GUEM! Pois é, mas o sujeito ao meu lado não compreendeu direito a palavra, e a porcaria do celular dele tocou no meio de uma cena. Ai, que raiva!
A música começa. Meus olhos já começam a se encher de lágrimas, ficam brilhantes à espera dos bailarinos.
Acho que toda menina gosta de bailarinas, né? Mesmo que não dance, mas acho que a bailarina é um símbolo de meninas. Aqueles gestos delicados, aquele sorriso plácido, aquela pontinha de pé...que coisa bonita!
Começa de fato! Ué, não tem dança? Calma, é uma peça, ballet ou não. As pessoas não entram já rodopiando. Mas a minha ansiedade me fazia pensar assim.
As bailarinas até andando são bonitas, né? No palco, elas andam com o pezinho virado, uma graça só!
Vem o primeiro rodopio. Não sei o que me emociona tanto, se a música belíssima de Tchaikovsky ou a delicadeza daquela menina-bailarina, só sei que uma lágrima cai. Os olhos brilham. Chris percebe meu gesto bem discreto, a fim de enxugar o rosto, e sorri.
E a cada cena, mais emoção. Os olhos brilham cada vez mais, os pelos do braço arrepiam. Sinto o coração transbordando.
A música clássica é para mim um verdadeiro milagre. Sem emitir uma só palavra, ela é capaz de expressar mais sentimentos do que qualquer dicionário.
É como se cada instrumento tivesse um idioma próprio, e que não precisamos estudar para entender, basta deixar que o som entre pelos ouvidos e seja canalizado até o coração.
Fim do primeiro ato. Comentários gerais. Lóóóógico que eu e Chris tínhamos que alfinetar o sujeito do celular. Mas coitado, pode ter sido só um momento de distração, e ele esqueceu de desligar. Acontece com qualquer um.
Mas falamos mesmo é sobre isso, sobre esse fascínio, e de como tudo é tão bonito ali. É como se o mundo lá fora não existisse, apenas beleza, sensibilidade, sutileza, harmonia. É como se somente coisas belas existissem no mundo. Eu moraria ali.
Começa o segundo ato. O reino dos doces. Ah, ali as crianças se reconhecem. Mesmo pequenas, mesmo leigas, mesmo que não entendam nada de música, elas se reconhecem.
Lá embaixo, na primeira fila, uma pequena se encanta tanto, que fica em pé, imitando os movimentos da bailarina. Ela realiza meu desejo, que, graças à minha maturidade infeliz e os padrões de comportamento exigidos pela minha não tão tenra idade, não posso concretizar. Uma pena.
E a cada cena, onde nós, os adultos embasbacados, aplaudimos, as crianças nos seguem, mas com mais entusiasmo. E quando todos encerram seus aplausos, ainda se ouvem aquelas palminhas pequenas batendo fora do tempo. Quero dizer, fora do nosso tempo, né? Porque elas continuam gostando, e portanto, aplaudindo.
Não me canso de dizer o quanto tudo parecia irreal, de uma beleza que não estamos acostumados, infelizmente.
Fim do ato, fim do espetáculo. Não cansamos de aplaudir. E segundo Chris, ainda foi pouco. Aplaudiríamos ali a noite toda, se eles não precisassem descansar para enfrentar a segunda sessão.
Saímos daquele lindo teatro com vontade de rodopiar e cantarolar as músicas. Sentamos em um restaurante, e ainda extasiados, comentávamos sem parar. E namoramos, romanticamente, no restaurante onde comemoramos nosso noivado. Uma noite impecável, eu diria.
Na volta para casa, dentro do carro, me peguei pensando em como uma pessoa pode gostar de funk?
Só pode ser porque ela nunca ouviu Tchaikovsky, Beethoven, Mozart, Chopin.
Não sou conhecedora de quase nada, não tenho um ouvido super crítico. Mas tenho um coração, e ele sente a música. Será possível que alguém consegue sentir alguma coisa além de náuseas quando escuta Bonde das Popozudas?
Ah, meu Deus. Cada dia mais tenho a certeza de que não nasci na época certa. Ou são lembranças das minhas vidas passadas.
Ah, que saudades dos meus vestidões de ópera...
10 dezembro 2009
Sem saber o título...
Sei lá, ando injuriada, sabe?
Esses dias conversei com 3 pessoas que não conversava há muito tempo. Quer dizer, umas mais, outras menos, mas enfim, muito tempo.
Uma foi minha amiga de infância mesmo. Nos conhecemos quando tínhamos 6 anos. Melhores amiguinhas na escola, dividíamos até os amores, uma infância gostosa de ser lembrada. Recuperações de matemática, lanches na escola, tardes em casa, muito bom.
Conversamos de tempos em tempos, e sempre temos assunto para colocar em dia.
Hoje ela tem uma filha, de 10 anos, e que faz exatamente as mesmas coisas que nós. meu Deus...tempo malvado, não?
Pena é que nossos horários são sempre curtos, mas ela está a par do casório e está bem feliz com isso. Disse que faz questão de me ver na igreja de branquinho e tudo. Também faço questão absoluta dela!
Depois conversei com um amigo que foi amor. Amor de cursinho, época dura em que eu nem sabia direito o que queria, mas sabia quem gostava (rs...). Dividida entre amores, um na escola, outro no cursinho, e sabe mais quantos por aí pela vida, porque nessa idade a gente ama muita gente, né?
Ele sempre foi uma espécie de "guru veterinário", já que somos colegas de profissão, mas ele se formou bem antes de mim.
Também se casou, está à espera do primeiro filho, mas sabe quando já não existe aquela amizade?
Fiquei ali parada, olhando para a tela do computador, à espera da janelinha piscante do MSN, mas sentia nossa conversa um pouco distante. Acho que sua esposa não gosta muito dessa nossa proximidade, e uma vez até deu problema com relação à isso.
Enfim...as pessoas casam, optam por ter sua vida, e alguns amigos já não fazem mais parte dela, porque é assim que é.
Fiquei me sentindo um pouco triste. Entendo perfeitamente, claro. Se Chris também não gostasse de alguma amizade minha, eu tentaria persuadi-lo, mostrar que é a ele que amo, e se mesmo assim não resolvesse, eu optaria pelo meu companheiro, claro.
Mas fiquei triste em sabe que o ser humano é assim, restringe as amizades, e que nós temos mesmo que "peneirar" alguns amigos.
Depois conversei com outro amigo, alguém que adoro, gosto mesmo, de verdade. Alguém que muitas vezes me aconselhou, que esteve comigo, ainda que virtualmente. Mas nossas conversas eram tão profundas que eu era capaz de sentir sua respiração por perto.
Numa época diferente de hoje, nosso relacionamento chegou a ser uma coisa, digamos, apaixonada. Sentir falta de alguém que não se vê toda hora, que não se encontra, o verdadeiro significado de amor platônico da era tecnológica.
Foi amor, eu acredito que sim. Um amor diferente, estranho, bom como qualquer amor, mas com uma certa dose de "sofrimento" por estar longe. Um ano assim, sem conseguir se ver, se comunicar além do computador, poucas vezes por telefone ou mensagens de celular.
Até brigas existiram, daquelas de ficarmos dias sem conversar. E reconciliações. Mas nunca encontros reais.
Um dia meu príncipe apareceu. Não aceitei logo de cara, ele foi me conquistando. E quando vi, estava namorando.
Meu então platônico pretendente me culpa até hoje de não termos dado chance a nós dois, de não sabermos se iria dar certo ou não.
E eu fico ainda triste, porque perdi um amigo de quem gostava muito.
Sei que não daríamos certo, pelo simples fato de que nada deu certo para que nos uníssemos. Nós, o destino, o tempo, tivemos tudo para nos encontrarmos e isso não aconteceu. Não deu certo, de qualquer maneira.
Fico meio entristecida com as relações humanas. Tudo tão complexo e ao mesmo tempo tão simples.
Não sei porque me chateio, pra ser bem sincera. Mas me chateio.
Preciso voltar pra casa urgente. Meu cachorro não complica tanto meu coração.
Esses dias conversei com 3 pessoas que não conversava há muito tempo. Quer dizer, umas mais, outras menos, mas enfim, muito tempo.
Uma foi minha amiga de infância mesmo. Nos conhecemos quando tínhamos 6 anos. Melhores amiguinhas na escola, dividíamos até os amores, uma infância gostosa de ser lembrada. Recuperações de matemática, lanches na escola, tardes em casa, muito bom.
Conversamos de tempos em tempos, e sempre temos assunto para colocar em dia.
Hoje ela tem uma filha, de 10 anos, e que faz exatamente as mesmas coisas que nós. meu Deus...tempo malvado, não?
Pena é que nossos horários são sempre curtos, mas ela está a par do casório e está bem feliz com isso. Disse que faz questão de me ver na igreja de branquinho e tudo. Também faço questão absoluta dela!
Depois conversei com um amigo que foi amor. Amor de cursinho, época dura em que eu nem sabia direito o que queria, mas sabia quem gostava (rs...). Dividida entre amores, um na escola, outro no cursinho, e sabe mais quantos por aí pela vida, porque nessa idade a gente ama muita gente, né?
Ele sempre foi uma espécie de "guru veterinário", já que somos colegas de profissão, mas ele se formou bem antes de mim.
Também se casou, está à espera do primeiro filho, mas sabe quando já não existe aquela amizade?
Fiquei ali parada, olhando para a tela do computador, à espera da janelinha piscante do MSN, mas sentia nossa conversa um pouco distante. Acho que sua esposa não gosta muito dessa nossa proximidade, e uma vez até deu problema com relação à isso.
Enfim...as pessoas casam, optam por ter sua vida, e alguns amigos já não fazem mais parte dela, porque é assim que é.
Fiquei me sentindo um pouco triste. Entendo perfeitamente, claro. Se Chris também não gostasse de alguma amizade minha, eu tentaria persuadi-lo, mostrar que é a ele que amo, e se mesmo assim não resolvesse, eu optaria pelo meu companheiro, claro.
Mas fiquei triste em sabe que o ser humano é assim, restringe as amizades, e que nós temos mesmo que "peneirar" alguns amigos.
Depois conversei com outro amigo, alguém que adoro, gosto mesmo, de verdade. Alguém que muitas vezes me aconselhou, que esteve comigo, ainda que virtualmente. Mas nossas conversas eram tão profundas que eu era capaz de sentir sua respiração por perto.
Numa época diferente de hoje, nosso relacionamento chegou a ser uma coisa, digamos, apaixonada. Sentir falta de alguém que não se vê toda hora, que não se encontra, o verdadeiro significado de amor platônico da era tecnológica.
Foi amor, eu acredito que sim. Um amor diferente, estranho, bom como qualquer amor, mas com uma certa dose de "sofrimento" por estar longe. Um ano assim, sem conseguir se ver, se comunicar além do computador, poucas vezes por telefone ou mensagens de celular.
Até brigas existiram, daquelas de ficarmos dias sem conversar. E reconciliações. Mas nunca encontros reais.
Um dia meu príncipe apareceu. Não aceitei logo de cara, ele foi me conquistando. E quando vi, estava namorando.
Meu então platônico pretendente me culpa até hoje de não termos dado chance a nós dois, de não sabermos se iria dar certo ou não.
E eu fico ainda triste, porque perdi um amigo de quem gostava muito.
Sei que não daríamos certo, pelo simples fato de que nada deu certo para que nos uníssemos. Nós, o destino, o tempo, tivemos tudo para nos encontrarmos e isso não aconteceu. Não deu certo, de qualquer maneira.
Fico meio entristecida com as relações humanas. Tudo tão complexo e ao mesmo tempo tão simples.
Não sei porque me chateio, pra ser bem sincera. Mas me chateio.
Preciso voltar pra casa urgente. Meu cachorro não complica tanto meu coração.
Assinar:
Postagens (Atom)